Quantidade e Locação dos Furos
De acordo com a NBR 8036/83 – "Programação de sondagens de simples reconhecimentos dos solos para fundações de edifícios" a quantidade de perfurações que devem ser feitas, em função da área
projetada em planta (não é considerado o número de pavimentos) do edifício a ser construído, deve ser:
- No mínimo uma perfuração para cada 200m² de área da projeção em planta do edifício até 1.200m² de área;
- Entre 1.200m² e 2.400m² fazer uma perfuração para cada 400m² que excederem aos 1.200m² iniciais;
- Acima de 2.400m² o número de sondagens será fixado de acordo com a particularidade da construção.
Porém em quaisquer circunstâncias o número mínimo deve ser:
- Duas para área da projeção em planta do edifício até 200m²;
- Três para área entre 200m² e 400m².
As perfurações devem ser locadas em planta e obedecer as seguintes regras gerais:
- As sondagens devem ser igualmente distribuídas em toda a área na fase de estudos preliminares ou de planejamento do empreendimento, já na fase de projeto podem-se locar as sondagens de
- acordo com critérios específicos que atenda as particularidades estruturais.
- Quando o número de sondagens for superior a três, elas não devem ser distribuídas ao longo de um mesmo alinhamento.
Execução
Para a execução dos serviços é necessário à abertura de um tripé que necessita de um espaço de 4,00m x 4,00m e um pé direito de 4,50m, deve-se evitar a marcação de pontos próximos a rede de energia.
A Sondagem é iniciada através do trado-concha até a profundidade de 1,00 metro, coleta-se uma amostra desse material que é colocado em saco plástico apropriado e etiquetado.
A cada metro de profundidade é realizado o ensaio SPT, a sigla SPT tem origem no inglês (standard penetration test) e significa ensaio de penetração padrão, que consiste na cravação de um amostrador padronizado
no solo, através da queda de um peso/ martelo batente de 65kg que cai em queda livre de uma altura de 75cm, divide-se o amostrador em 3 segmentos de 15 cm e anota-se o numero de golpes necessários para a
cravação de cada segmento. Após a execução do ensaio, o amostrador é aberto e retira-se uma amostra representativa do solo, essa amostra é acondicionada em saco plástico e etiquetada para ser encaminhada
ao laboratório, onde um geólogo ou engenheiro civil fará a descrição táctil-visual e a classificação do material encontrado, determinando o perfil estratigráfico do solo.
Através desse ensaio é obtido o índice de resistência à penetração do solo, que de acordo com o definido por Terzaghi-Peck (Soil Mechanics in Engineering Practice) é a soma do número de golpes necessários a
cravação no solo dos 30 cm finais do amostrador.
Quando o nível do lençol freático é interceptado, utiliza-se o processo de circulação de água para o avanço da profundidade da perfuração.
Critérios de Paralisação do Ensaio
De acordo com a NBR 6484/2020 a cravação do amostrador-padrão pode ser interrompida antes dos 45 cm de penetração sempre que ocorrer uma das seguintes situações:
- O número de golpes ultrapassarem 30 golpes em qualquer dos três segmentos de 15 cm;
- Durante a aplicação de cinco golpes sucessivos do martelo não se observar avanço do amostrador-padrão. Neste caso, após retirar o amostrador, deve-se iniciar o ensaio de avanço da
- perfuração por circulação de água.
- O ensaio de avanço da perfuração por circulação de água deve ter duração de 30 min, anotando os avanços do trépano obtidos em cada período de 10 min.
Critérios de Paralisação da Sondagem
De acordo com a NBR 6484/2020, na ausência do fornecimento do critério de paralisação por parte do contratante ou preposto, as sondagens devem avançar até que seja atingida uma das seguintes condições:
- 10 metros de resultados sucessivos obtendo 25 golpes para penetração dos 30cm finais do amostrador-padrão;
- 08 metros de resultados sucessivos obtendo 30 golpes para penetração dos 30cm finais do amostrador-padrão;
- 06 metros de resultados sucessivos obtendo 35 golpes para penetração dos 30cm finais do amostrador-padrão;
A sondagem a percussão pode ser paralisada em solos de menor resistência à penetração dependendo do tipo de obra, das cargas a serem transmitidas às fundações e da natureza do subsolo, porém deve
haver uma justificativa geotécnica ou solicitação do cliente.
